terça-feira, 13 de novembro de 2007

Castelo das rosas

O castelo das rosas.


Dizem que há muitos anos, numa terra longínqua, um cavalheiro cavalgava seu corcel negro, procura num horizonte perdido, algo que lhe fizesse voltar a sorrir.
Jamais esquecerá da canção que o vento sussurrou, era um grito de adeus, que ecoava por toda parte, seu destino fora embora com Tereza, a camponesa malvada que deixou seu coração partido.
Daquele anjo feminino restava um lenço com vestígio de perfume, um aroma de hortelã que entrava por suas narinas.
Em silencio chorou por todo o caminho, suas lagrimas desceram pelo rosto, o desconsolo do cavalheiro fez a lua sentir piedade, a noite debruçou sobre os montes, velando os passos tristes de sua figura nas sombras.
O sol resplandeceu depressa, sobre o havido olhar do cavalheiro, se mostrava no fundo da íris, as lembranças do que aconteceu há poucas horas, por entre os dedos viu o seu sonho escorregar, agora só restava buscar o impossível, parece definitivo, o que de surpresa lhe tomou em desencanto.
O amor batera forte em sua porta e com os olhos fechados fantasiou trilhar um caminho de rosas, imaginou Tereza na janela do castelo acenando-lhe com um sorriso, era somente miragem, mas a pele clara de Tereza refletia um conjunto de sensações, foram instantes de felicidade que por um triz se foram junto com a tempestade de areia.
A realidade se impôs com toda força, ele realmente está no deserto, o sol escalda suas frontes, o calor atordoa seus sentidos, mas ainda está sóbrio rebuscando pensamentos positivos, alguma coisa lhe deu a certeza que não irá padecer, sentiu o perfume de rosas, naquele momento era óbvio que depois de toda aquela turbulência, virá ao seu encontro algo que se pode-se ser tocado.
Ao alcance de suas mãos achou a poucos metros seu cantil vazio, de novo a sorte lhe abandonou no instante em que mais precisa dela.
De longe viu o imenso colosso de pedra, um belo castelo apareceu como por um encanto, arcos imponentes ornam a entrada do castelo, jardim de rosas vermelhas enfeita toda a extensão dos muros, as paredes são em mármore cor de marfim, chega a refletir o tom escarlate das rosas, ali é o paraíso, talvez o anjo more em um dos aposentos, ou seja, um portal para algum tipo de abismo do inconsciente.
A armadura reluzente conduz os últimos fios do crepúsculo, o cansaço lhe domina em proporções que poderia se deitar sobre as pétalas caídas, pois é um verdadeiro tapete de veludo vermelho, o perfume das rosas lhe traz lembranças da figura feminina, mesmo aflito deita-se e não pensa em mais nada.
O desejo de rever aquela pequena é tão grande, que em seu sono profundo escanea na mente adormecida às formas perfeitas da ninfa do castelo.

Marcelo Planchez

posted by Marcelo @ 6:19 AM 0 comments links to this post

Thursday, March 30, 2006

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