Juli e seus ratinhos incolores .
Agora é começo de primavera, o sol está à pino, os campos sorriem floridos, a quase adolescência de Juli brota nos poros, barriguinha de fora lá vai ela, com sua meninice, sempre com sorriso estampado, à espera de novidades e atrás de travessuras .
Todos os dias é uma novidade, desta vez são ratinhos recém nascidos e abandonados pela mãe, foram encontrados em uma touceira de capim, Juli os pegou nos braços e logo foi lhes enchendo de cuidados, os ratinhos são pequenos e quase incolores, chega dar pena de tão frágeis que são .
Juli entrou em sua casa e com euforia chamou por sua mãe e em tom de voz alta, anunciou : Mãe você não imagina o que encontrei na rua ! a mãe responde: Nem imagino mesmo, Juli: Olha como são lindos e como são vermelinhos !
Juli arrumou uma gaiola para ser a nova casa dos ratinhos, no fundo da gaiola forrou de serragem e ali os animaiszinhos ficaram acomodados .
Sileide não se importou com a chegada dos novos moradores, mas avisou a Juli para que cuida-se e tive-se responsabilidade para com os bichinhos, mas seu pai Romualdo resmungou pelos cantos da casa, pois acha que animais na casa podem causar danos a saúde e por isso protesta silenciosamente franzindo a testa .
Juli nem liga para a opinião de ninguém, na verdade quer viver no limite de sua rebeldia, é adolescente nem imagina os danos que pode causar aos outros, são um caso serio estas crianças de hoje .
Juli sabe que as transformações que estão acontecendo em seu corpo, é a fase em que as meninas de sua idade deixam de brincar de bonecas e começam a se preocupar com outros assuntos .
Os ratinhos estão ficando crescidos, mas Juli nem se preocupa com eles, preocupa-se só em colar nas paredes de seu quarto fotos de artistas famosos e bonitos .
O som é sempre colocado nos mais alto volume, enquanto rebola o corpo inteiro em frente o espelho da sala de estar, suas amigas da mesma idade vivem na mesma sintonia, tudo que fazem parece que é o ultimo dia e o mundo se acabará, é o maior exagero .
O tempo vai se passando e Juli já esqueceu dos ratinhos, mas não sabe ela, que os bichinhos fugiram e entraram no ralo do banheiro, foram embora .
Juli pensa que é dona de seu nariz ! dá cada resposta cabeluda a sua mãe, que a mãe sempre é obrigada a lhe aplicar corretivos severos .
Sileide sempre orienta dizendo que o mundo a ensinará de verdade, que depois não adianta chorar .
Romualdo sempre passa a mão pela cabeça da filha, agradando com presentes e afagos .
Juli anda irada e curte o tal Iron Made, vai entender esta garotada, hoje em dia os valores estão invertidos mesmo, tudo que se pregava está em extinção, ficaram só as lembranças do que era certo ou quase isso .
O mundo é um parque de diversões, não existe futuro, o presente habita a vida destas meninas adolescentes, a fantasia floresce a cada instante levando à um brilho, em busca de maravilhas, è constante o que chamamos de momentos, mas ao mesmo tempo è consagrador na vida desta meninas, a felicidade que aflora em cada detalhe, mesmo que não entendamos nada do que se passa .
Juli vivi um processo difícil, é a primeira vez que é adolescente, junto com isso tudo, vem o desconhecido, são os paradigmas, não é nada sensato nas ocorrências da razão, a cabeça de Juli funciona a mil por hora, está sempre na frente dos fatos, vai assim atropelando tudo, sempre será assim para todas as tripulantes do trem do aprendizado .
O cotidiano de Juli é normal, vai á escola, lá assisti ás aulas ou fica sentada na frente na calçada tirando um barato com a turma, alguns dos adolescentes fumam cigarros, mas Juli ainda não aderiu ao vicio, porque acha que daí para outras coisas é um pulo .
No final da tarde Juli chega em casa, com uma fome de leão, devora tudo o que vê pela frente, mas na hora de fazer o serviço de casa, é um caso serio, só apanhando da mãe .
As coerências ficam muita longe do desejo de seus pais, que tem uma visão apenas daquela criança que nunca vai crescer, a cada passo os mundos tendem a se separar, talvez daqui alguns anos serão somente historias a ser contadas com muitas gargalhadas num Domingo de macarronada e Juli estará cuidando do futuro de seus adolescentes que serão mais ou menos igual, talvez piores .
Envaidecida com seus cabelos brancos dona Sileide defenderá suas netas e fará imperar seus próprios metedos , verá sua conduta refletida e fará seu julgamento como mãe e avó e adolescente que foi, no momento Juli terá que manter-se uma mãe exemplar, pois tudo é pré definido pela sociedade em que vivemos, não poderá nem contar os seus deslizes, muito menos as travessuras.
Juli ainda é adolescente é anda com a corda toda, aprontando mil e uma, tem uma amiga com o nome de Lua que beijou mais de duzentos meninos é o recorde da escola, dizem que botou a boca no seguro, perigo só os sapinhos e os príncipes que passeiam em sua boca .
O mundo de Juli parece enorme, mas o seu maior sonho é ser feliz, no final ser um adulto normal, que viveu tudo no tempo certo, pois nunca ficará perdida em depressão com os problemas da consciência, se lamentando da vida, se sentirá mais livre, podendo abraçar o sonho no momento que quiser.
Marcelo Planchez .
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