sexta-feira, 25 de julho de 2008

Banhado.
Na orla do Banhado debruço-me sem embaraços
vejo ribanceira abaixo
o lado mais pobre da cidade
Existe a esperança estampada nos rostos
de crianças que nos trilhos de aço
circulam em um trem de poucas brincadeiras
A realidade oprime o cotidiano
A paisagem fica intacta nos resíduos que a metrópole produz
Os ventos sopram solidão nos anseios
Tragédias baratas que não vende jornal
Luzes retorcidasImagem útil da vida
Que resiste a todo ponto de vista
Mas não cobra nada de quem passa
Passa a limpo o desfile sem graça
Do jardim real de Marias e Josés sem flores.
Marcelo Planchez.

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